segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Efeitos do assédio moral

Que o assédio moral produz uma série de efeitos negativos e danosos na vida daqueles que foram vitimados por esse fenômeno é fato amplamente conhecido.
Depressão, ansiedade, cânceres e suicídio estão entre as doenças que poderiam ser citadas como conseqüência desta ação agressora.

Pode-se afirmar, sem medo de errar, que é um ato que pretende desestabilizar e desestruturar emocionalmente a pessoa alvo: e consegue.

Humilhado, transtornado e revoltado o trabalhador perde sua capacidade de avaliar as situações com bom senso, e, em alguns casos, perde totalmente a cabeça e se complica ainda mais, levado por sentimentos de vingança.

Se este instinto vingativo pode ser despertado, em uma pessoa, nas mais diversas situações da vida humana, não seria diferente, então, nas relações de trabalho, e com agravantes, se levarmos em consideração o que está em jogo que é a fonte de exploração do covarde agressor: a empregabilidade do trabalhador.

Assistindo a um filme, outro dia, que abordava a temática da vingança, dentro do contexto da II grande guerra, pude perceber que isso é algo que mexe com o imaginário das pessoas.

Em determinado ponto da película (Bastardos inglórios), a cena é aberta em um local que me parece ser o de uma fazenda ou floresta, onde a tomada de cima capta um pelotão em formação, diante de um superior, no caso, o tenente Aldo Raine, que tem uma missão: formar um grupo especial- guerrilheiros de mata do exército- cuja tarefa, é a de exterminar nazistas, numa estratégia típica de guerra psicológica que tem como objetivo abalar o moral das tropas inimigas, como era também feito pelos Snipers na mesma época.

Até aí, nenhuma novidade, mas o que me chamou a atenção, na realidade, foi o discurso persuasivo do Tenente que induzia aqueles voluntários a matar por uma “justa causa”, e não só isso, era preciso criar um impacto psicológico, pelo terror, na mente dos alemães, através do escalpo dos mesmos. Convenhamos, selvageria e violência puras. Bem típico de Quantin Tarantino.

Observe a narrativa do tenente guerrilheiro:

- “Eu não sei quanto a vocês, mas eu, com certeza não vim das montanhas nevoentas, atravessando oito mil quilômetros de mar, lutei na Sicília e pulei de uma droga de avião pra ensinar lições de humanidade aos nazistas!”

- “Nazistas não têm humanidade.”

-“Eles são a escória de um genocida maníaco que odeia judeus e eles precisam ser destruídos.”

-“E é por isso que todo e qualquer f. da p. que encontrarmos usando uniforme nazista, terá que morrer.”

Parece ou não um discurso convincente? Imagine-se vivendo aquele momento, vendo os carniceiros de Hitler cometer todo tipo de barbárie; Você ligaria pra Direitos Humanos? É complicado não é?

Pois é, da mesma forma, se pensarmos que todos os dias por esse planeta existe alguém sendo acuado, ou outro, acossando, e o turbilhão de sentimentos que isso causa, tenderíamos a agir da mesma maneira que os guerrilheiros de mata: matando. Mas, a pergunta que fica é: sobraria alguém pra contar a história?

Lembro-me muito bem, o ano era de 1995. Eu trabalhava em uma multinacional francesa. Havia a equipe de segurança que pensava que eram da KGB. Não perdoavam nada, impunham o terror e violavam direitos básicos constitucionais. E, como em todo lugar, tinha os puxa- sacos que queriam se promover à custa dos outros.  Um determinado adjunto adorava perseguir trabalhadores e demití-los. Mas, sua sorte, em determinado momento virou. Uns rapazes que haviam sido prejudicados por ele, decidiram vingar-se, e, onde quer que ele estivesse ou ia, levava uma surra “daquelas”. Já sem confiança e o mesmo entusiasmo de antes, não agüentou a pressão e pediu demissão.

Tanto no filme, que é uma ficção, quanto no fato ocorrido anos atrás, o que se percebe é que as pessoas, levadas a situações extremas, podem explodir como verdadeiras panelas de pressão, sem medir as conseqüências de seus atos.

É claro que isto não é a solução; de forma alguma. Mas, fica evidente que, movidas por forte emoção, perderam os freios da violência e partiram para o ataque, aflorando seus instintos primitivos. O que as moveu foi a injusta agressão moral. A intenção de desestabilizar acabou voltando- se contra os próprios agressores.

E o que fazer numa hora destas se não temos “sangue de barata”? Eu me recordo de uma frase que me marcou muito, dita por uma pessoa sábia, e, que me ajudou bastante: Não alimente o agressor.

Ora, se o assediador tem a deliberada intenção de te desestabilizar emocionalmente, ele conta exatamente com isso pra te levar ao erro, e assim, obter êxito sobre você. Se, de alguma forma, você não der o que ele quer, todo o seu plano cairá por terra e fracassará. O segredo está justamente aí- não chegar ao ponto da desestabilização, ou seja, anular o agressor.

O remédio pra enfrentar um assediador moral é a razão e o bom senso, mas o descontrole e a precipitação, não. Isso é tudo o que eles não querem: teu controle emocional.

Portanto, utilize o poder da reflexão na próxima vez que enfrentá- los e perceba como os neutralizará.


Raniery
raniery.monteiro@gmail.com