sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Hienas, abutres e outras tranqueiras mais.

Animais do kalahari


Em algum momento da vida você já deve ter se defrontado com um tipo de pessoa medíocre que existe em qualquer lugar deste planeta. O que move essa gente são sentimentos de inadequação social como ciúmes, inveja, despeito, etc. Sendo assim, elas passam a incomodar e atormentar os outros no menor sinal de competência ou qualidade que este apresente. Eles não suportam ver o sucesso alheio, isso os consome por dentro, e, num impulso incontrolável passam a desqualificar insistentemente aquela pessoa que identificam como um potencial competidor.

Utilizam dos expedientes mais baixos de seu arsenal, como a fofoca, a intriga, a discórdia ou o sarcasmo- coisa de “maricas” mesmo (quando se trata de “homens”). Sabe aquelas piadinhas maldosas e cheias de veneno que lançam entre o grupo pra que os colegas, ou até o chefe, se volte contra a pessoa? Pois é, lembrou, não é mesmo? Eu sei, eu também fico indignado com isso, assim como você.

Outro dia, assistindo um documentário sobre animais selvagens do deserto de Kalahari comecei a prestar mais atenção em determinados animais oportunistas, como as hienas e os abutres, que ficam aguardando uma definição entre o que ocorre com predadores e presas. A comparação, é óbvio, foi inevitável. Para esses animais, tanto faz quem perde ou quem ganha, eles não torcem pra ninguém em especial, mas somente ficam na expectativa de que alguém tombe em combate pra poder se beneficiar de uma refeição fácil.  Esses animais torcem pelo derramamento de sangue e que alguém saia ferido, seja quem for. Da mesma forma a versão humana, de hienas e abutres, fica na expectativa de quem se dará mal numa situação de assédio psicológico.

Essas pessoas (por mim denominadas de “testemunhas mórbidas”) esperam lucrar com a situação de conflito entre alguém e um agressor. São como os expectadores das arenas na Roma antiga onde o que importava era a carnificina e o espetáculo sangrento.

Vale lembrar que se é alguém que é visto como um competidor perde, eles por tabela se livram do mesmo. Se a situação é oposta, o que é muito raro, é um assediador a menos pra aporrinhar a vida das pessoas.

Relato

Lembro – me muito bem: era novembro de 2005. Em uma desinteligência ocorrida com um colega, um grupo de bossais se aproveitou da situação pra me atacar através de uma comunidade de uma rede social. A estratégia deles era a de induzir as pessoas contra mim, me isolando, e não uma suposta solidariedade à outra parte. Outro objetivo era chamar a atenção dos assediadores de plantão para que me perseguissem; e por um tempo conseguiram obter sucesso.

Mas o que me surpreendeu, mesmo, foram as pessoas, que aparentavam ser colegas, virarem as costas e ainda me evitar como se leproso eu fosse. Não contentes, quando me davam a honra de sua atenção, vinham com discursos solenes de orientação e repreensão de meu comportamento inadequado: ser assediado.

Pra eles era um absurdo eu querer me defender já que, segundo sua filosofia, “de que não adiantava bater de frente com a chefia”, e sendo assim, eu deveria aceitar aquela sina que Deus me proporcionava. Se eu passivamente não resistisse, os agressores, em sua benevolência e compaixão, dariam- me seu perdão por me humilhar, ofender e importunar. Eu presenciei essas pessoas reproduzirem o discurso do agressor, num ato de puxa-saquismo explícito e sem pudores, somente pra se beneficiarem com algumas míseras migalhas. Esta atitude demonstra um comportamento típico de pessoas manipuláveis e castradas.

 O mais irônico foi que já contavam com minha ruína e davam como certa minha destruição. Quando eu, finalmente, consegui reverter à situação essas hienas perderam o sorriso e ficaram chateadinhas comigo. Incrível mesmo era o argumento que utilizavam que “era preciso engolir os sapos”, pois “onde encontraríamos um emprego tão bom como esse que nos paga tanto, e, além do mais, esse negócio de assédio moral não passava de frescura”.

Ter dado a volta por cima jamais poderia ter acontecido, pois o que fariam eles com os conselhos que me deram? Ora, é até compreensível, já que, se o que me diziam era a verdade, e, eu simplesmente me recusara a seguir o que diziam, então, sua credibilidade fora por água abaixo.

 Como eu poderia tê-los traído desta maneira? Que absurdo de minha parte!

Isso me lembra um texto de Platão sobre o mito da caverna onde ele fala da escravidão da ignorância dos homens que são condicionados pela sociedade, como verdadeiros autômatos, para servirem algumas pessoas. Afinal, é preciso que um grupo de trouxas proporcione a outro grupo (de espertos) o conforto que eles querem, mesmo que isso signifique a deflagração da miséria humana e a perda da dignidade. 

O melhor destas situações é que amadurecemos nossa capacidade de interagir com as pessoas e nos tornamos seletivos nas escolhas que fazemos sobre quem, de fato, serão nossos amigos.

Na selva de pedra que vivemos, precisamos ficar espertos com todo tipo de “bicho” que aparece em nosso caminho pra não sermos pegos de surpresa e sermos devorados vivos.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@mentesalertas