segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Máscaras

Máscaras como mecanismos de defesa


Desde que nascemos aprendemos rapidamente que precisamos desempenhar papéis em nossas interações com os outros. Entendemos rápido como exercitar nossas vontades e desejos.       
Sendo assim, a criança parece ter um instinto natural para detectar quem lhe proporcionará a satisfação almejada, e, lança mão de seus recursos como: o mimo, o choro, o sorriso, entre outros com alto índice de sucesso, para conseguir o que quer. Da mesma maneira, sabe detectar quem não cederá a seus artifícios.
            Desta forma ela cria um papel diferente pra cada situação dentro de seu universo infantil.

          Máscaras como forma de obter vantagens sobre os outros
Esse processo se refina e se torna mais complexo à medida que crescemos e, logo, percebemos que podemos tirar vantagens disso. 
Seja nos anos de ensino fundamental ou médio (e mesmo superior), seja em relacionamentos ocasionais ou esporádicos, e, na família toma requintes de sofisticação: são os nossos jogos.
Basta ligar a TV em algum reality show e se percebe como as máscaras se apresentam em suas diversas faces.
 As máscaras e o ambiente de trabalho
Mas é no ambiente de trabalho que elas tomam contornos de política e questões ético/morais.
Seja pública ou privada, é lá- na empresa- que passamos grande parte de nossas vidas, afinal, é pra isso que estudamos e nos qualificamos tanto, concluímos.
Nesses jogos da vida real, as máscaras, no final, são as ferramentas mais utilizadas para a obtenção do sucesso ou o meio pra se atingir objetivos.
Desta forma, vemos as pessoas se apresentarem com um discurso cheio de valores e boas intenções em um momento e no outro seu comportamento as contradiz. Na arte de deixar as pessoas para traz e “ver o seu lado”, vale tudo; não há escrúpulos, afinal, “tenho que garantir o meu, não é mesmo?”. Esse é o discurso. O discurso de pessoas sem consciência, é claro.
De qualquer forma, se nossa consciência nos incomodar, basta apresentar- lhe razões como a competitividade, a globalização, o sistema, o capitalismo que exige que sejamos fortes, determinados, duros etc. Além do mais, “se não sou tão qualificado como meu colega como conseguirei o que quero?”
 Esse mascarado acha injusto e desigual competir com alguém que seja mais qualificado que ele, sem lançar mão de trapaças e subterfúgios. E, se os fins justificam os meios... Pronto! Está resolvido. E ademais, se estamos na geração do egocentrismo, que é que tem se puxarmos o tapete de alguém? Todo mundo faz isso, mas só os espertos, não os “otários”!
Agora, quando este “otário” não é tão bobo como se subestimava e faz prevalecer suas capacidades, incluindo aí poder de articulação, política, e de prever como “ratos” se comportam, o jogo pode virar e quem pensava que era esperto, acorda num dia tendo que rever seus conceitos, já que subestimou o outro. Acontece que, sem exceção, este tipo de malandro não gosta de jogar conforme as regras e fica enfurecido quando perde o jogo. E, se pararmos pra pensar, se fossemos um deles, ficaríamos também, pois mentira, embuste e armação dão um trabalho danado para no final não se ter o prazer de passar o outro para traz.
A única coisa que o esperto mascarado não leva em consideração, é que, nesse jogo, ele não passa de uma “marionete” a serviço de outro que o manipula a seu bel prazer e, que, da mesma forma como ele “se arrumou”, pode ser chutado como coisa que é.
 Conclusão:
 Eu penso que nossa sociedade necessita de uma transformação radical em seus códigos de valores que foram absorvidos por um sistema que implanta em nossas mentes que somos meros dígitos, medidos pelo que possuímos e que nos estimula a todo o momento a ter, que ter. Ele determina que tipo de mulher/homem você deve ser ou querer ter, que tipo de comportamento deve adotar, enfim, você deve abrir mão de ser quem é pra ser quem querem que seja: uma máscara.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com
@mentesalertas