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O macaquinho de realejo e os amigos virtuais.

Outro dia eu estava vendo uma cena de um macaquinho de realejo que faz umas gracinhas, treinado por seu dono, pra ganhar alguns trocadinhos.


Eles são tão engraçadinhos e nos encantam, não é? Só que nesse dia, o simiozinho estava saturado da exploração comercial de seu dono e decidiu descontar no cliente; exatamente como alguns atendentes de telemarketing de operadoras de TV a cabo fazem aqui no Brasil.

De forma muito rápida o miquinho deu um gancho de direita no queijo de uma senhora, no melhor estilo Eder Jofre de ser.

O bichinho parecia tão amistoso e engraçadinho. Despertava tanta simpatia nas pessoas que alegremente decidiam colaborar; mas ele ainda era um animal selvagem fora de seu habitat natural.  Jamais será um humano ou terá as noções de valores que temos: eles são assim, essa é a sua natureza.

Pois bem, isto me faz lembrar algumas pessoas que, em determinados momentos, fazem parte de nossas vidas e se tornam nossas amigas. São simpáticas, riem, choram, expressam que nos amam acima de qualquer coisa e aquilo nos comove de forma envolvente. Parecem mesmo humanos de verdade com consciência e tudo.

Eis que em determinado dia elas, então, se voltam contra nós pelo mais fútil motivo e ficamos boquiabertos e perplexos tentando achar a real razão de tal atitude.

Neste instante, quando o elo emocional, que prejudicava nossa visão real da pessoa, se quebra, é que começamos a montar o quebra cabeças de um quadro que estava diante de nossos olhos o tempo todo apontando para um padrão.

O raciocínio é simples, mas difícil é sua aplicação: se uma pessoa que se diz amiga te atraiçoa, isso aponta para uma única conclusão- amiga nunca foi, senão não faria tal coisa. Quando o conflito se desenrola por motivo fútil, aí é que você fica confuso.

Só que tudo tem uma explicação por mais que não a entendamos no momento.

O que, à primeira vista nos parece pouca coisa pra desencadear uma tempestade em copo d’água pode estar sinalizando para uma característica de comportamento.

Como tudo se desenrola por meio de um narcisismo intrínseco somado ao vínculo emocional que nos prende a ela, não conseguimos ver o que está diante de nossos olhos. Encaixadas as peças, tudo fica claro e passa a fazer sentido.

Percebemos, então, que nesse tempo todo a amizade se desenvolveu em caráter virtual, ou seja, parecia que era verdade. Até porque, em nossa mente, nós vivíamos isso de forma realística.


Acontece que com os narcisistas, não. Essas pessoas são como vampiros e o sangue pra elas é nossa energia emocional. São sangue sugas de nosso tempo e atenção. São como carrapatos ou pulgas que só estão conosco porque podemos alimenta- los e no momento que isso não mais os satisfaz, pulam pra outro hospedeiro.

Quem dava maior importância à amizade éramos nós, e, no instante em que começamos a perceber que esses amigos não são o que exatamente pensávamos, e eles descobrem nossa percepção, então a coisa toma outro rumo e sua verdadeira face se mostra. 


Um detalhe interessante é que eles não gostam que descubram quem são na realidade, e, aí passam para a fase do ataque, e, sendo assim, qualquer motivo serve pra desencadear uma briga e daí interpretar seus personagens prediletos: a vítima- e seu choro de dar dó; o maquiavélico- e seus jogos de intriga; o juiz- que projeta culpa sobre o outro e por aí vai.


Lembre- se, pra eles é perfeitamente natural esses comportamentos questionáveis do ponto de vista da moral, é a sua natureza que os impele a agir assim. Neles, a capacidade de empatia é desligada e o que pareceu um dia ser um sentimento, na realidade é teatralidade.

Se acontecer com você o mesmo que ocorreu comigo onde a pessoa me viu lendo o livro “Como decifrar pessoas” e se afastou como se a cruz ou alho visse, ou ficar estranha, me conte depois e eu vou te apontar que aí tem coisa. Como eu disse acima, eles não gostam de ser identificados e desmascarados, pois dependem disto pra continuar parasitando os outros.

Eu entendo que o segredo aí, uma vez que a ruptura é o caminho natural, é encarar a coisa da mesma forma com que eles lidaram com ela. Se nunca houve amizade então não há porque eu ficar frustrado, me culpando, chateado etc. É fácil? Não! Mas, não fui eu quem criou tal situação e não tenho culpa pelo comportamento desajustado da pessoa, e, além do mais, existe muita gente que vale a experiência de nossa amizade - que é preciosa demais pra ser jogada no lixo- e que no fim agregará algo de positivo na verdadeira acepção da palavra amizade.

Sendo assim, eu devo entender que existe aqueles, cuja natureza eu não posso alterar, que são movidos e alimentados por seus egos. Acontece que eu devo decidir se quero viver num relacionamento onde o seu foco é o abuso ou quero pessoas leais e consistentes que possam interagir reciprocamente comigo.


Raniery

raniery.monteiro@gmail.com


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