segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Homem primata


Sendo o homem um ser social por natureza, chama- nos a atenção algumas contradições que emergem deste comportamento. 

Ao mesmo tempo em que gosta de ser gregário envolve- se em inúmeros conflitos dentro de suas relações. Isso não soa contraditório? Sim e não.

Explico: ocorre que somos seres únicos, no que diz respeito a nossa individualidade, ao mesmo tempo em que vivemos em grupos sociais, e, se cada cabeça uma sentença, deu pra perceber o que acontece, não é? 

Essa individualidade é tão reconhecida que é objeto de destaque das convenções de Direitos Humanos entre as democracias. Concluímos, então, que há um valor individual intrínseco em cada ser humano dentro de um contexto social. 

Mas, o conflito é inerente a raça humana, faz parte de nosso comportamento, senão não haveria necessidade de regramentos sociais para nortear e proteger os valores que prezamos, e, prevaleceria a lei do mais forte, ou seja, a anarquia generalizada.

Perceba que com todo este controle estatal não foi possível eliminar o crime entre as sociedades, e essa nem era a sua intenção, cabendo aí à religião ou à moral esse papel, obviamente refiro- me à característica ético- motivacional da ação.

Assistindo a uma matéria sobre a violência contra as mulheres em boates brasileiras me veio a mente uma pergunta: por que é que determinados “cidadãos” agem como se fossem homens das cavernas de desenhos animados ao serem rejeitados?
  
O que parecia ser uma piada, na realidade tem fundamento quando comecei a ler um livro de psicologia do comportamento. Lá, constatei que possuímos mecanismos de defesa psicológicos que se adaptaram pra nos proteger dos perigos nos primórdios da vida humana: predadores gigantescos como o smilodon, mamutes (caça), tribos inimigas, fenômenos naturais etc. As eras se foram, e cá estamos nós. Humanos modernos com sistemas projetados desde a idade da pedra. 


Ao que parece determinados homens ainda se encontram naquele estado selvagem onde a fêmea era conquistada com a clava e arrastada pelos cabelos.
  
Teorias à parte, a grande verdade é que a mulher, ainda hoje, sofre todo tipo de violência por parte de um grupo de homens desajustados e que ainda insistem em se impor pelo machismo e truculência.

Como alguém pode imaginar obrigar outro a gostar de si ou obrigá- lo a manter um contato íntimo? Isso foge da normalidade. 

Seja homem ou mulher, forçar alguém a se relacionar contra sua vontade não tem o menor cabimento dentro das garantias e direitos de que somos titulares.


Se esse argumento não é suficiente, basta pensar que se um homem não é capaz de conquistar uma mulher, a ponto de precisar usar de força bruta, e, se esta ao se recusar é mal tratada, seria preciso repensar esse papel de machão inseguro, decadente e desajustado que se mostra sintomático. 

O mesmo serve pra mulher que acha que pode ser dona de um homem e obrigá- lo a amá- La.

Ninguém é objeto de ninguém.

De qualquer forma, a violência contra mulher deve ser coibida com rigor e exemplarmente punida pra que novos homens de Neandertal comecem a atingir um estado natural de civilidade.