quarta-feira, 16 de maio de 2012

Arma de defesa


Adaptação é a palavra chave no que diz respeito a sobrevivência. Isto é uma verdade em qualquer nível de forma de vida que pensarmos.

No meio selvagem o predador desenvolve estratégias de caça e a presa de fuga ou contra ataque. Essa relação pode se dar em pelo menos três níveis: ocultação, recuo ou combate.

É preciso antecipar os movimentos opostos e alocar a melhor tática para o momento oportuno: é questão de vida ou morte.

Para cada estratégia escolhida haverá uma forma de adaptação comportamental correspondente; aqui, há uma relação de causa/ efeito; ação/ reação.

São inúmeras as formas de combate adotadas: armas químicas (tornar-se intragável), couraças, espinhos e privilegia-se o não contato que será deixado pra último recurso.

Não ser detectado é uma tática útil e inteligente, e, pra isso, a camuflagem e a inércia, são utilizadas largamente, o que confunde o predador e consegue-se vantagem substancial. Alguns animais fingem-se de mortos, usam a dissimulação. Toda guerra baseia-se no logro- ensina Sun Tzu em “A Arte da Guerra”. A idéia básica aqui é evitar o confronto e dissuadir o predador de atacar, buscando em outro lugar a satisfação de sua fome.

Da natureza copiamos e imitamos aquilo que funciona. Desta forma nasceram as artes marciais que se basearam nos movimentos e táticas de sobrevivência animal pra desenvolver uma espécie de disciplina física e mental capaz tanto de promover a defesa quanto subjugar o inimigo. Da mesma forma que o mundo natural é diversificado emergiram inúmeros estilos de artes marciais.

Mais uma vez aqui se aplica a máxima do não confronto, ou seja, é preferível desestimular o inimigo do combate, mas se este insistir a eficiência de cada técnica será persuasiva o suficiente.

Acontece que a maioria de nós, no mundo contemporâneo, para viver, não luta contra leões ferozes ou promove guerras entre clãs. Diferentemente do que ocorria no passado, hoje, nossos conflitos decorrem das relações em contexto urbano.

Não dá pra sair dando saltos giratórios toda vez que alguém tenta nos prejudicar e o único veneno que possuímos é a raiva que faz mais mal a nós do que a nossos antagonistas.

E o que se faz diante do stress a que somos submetidos todos os dias diante de relações conflituosas? A resposta está dentro de nós mesmos. Possuímos uma arma formidável de combate, mas que na maioria das vezes subutilizamos: nosso cérebro.

Centro do pensamento, emoção, planejamento, auto regulação da mente e do corpo, este instrumento formidável passa por um longo processo de desenvolvimento que praticamente leva a vida toda.

Com uma estrutura impressionante de captação e armazenagem de dados somos capazes de aprender um número quase ilimitado de ações. Mas, é no sistema de auto regulação, cuja função é manter o equilíbrio físico/ emocional, que está o segredo.

A ansiedade do ponto de vista fisiológico, é um mecanismo biologicamente programado que nos ajuda a sobreviver e nos defender. Atua como uma resposta de proteção que prepara o organismo para atacar ou se defender de um perigo percebido, real ou não. Diante da expectativa de perigo o sistema nervoso autônomo simpático, que atua em defesa do organismo, libera substâncias que são neurotransmissores que alterarão fisiologicamente o sistema interno viabilizando respostas de fuga ou luta.

O que se torna um transtorno e inadequação é quando este sistema auto regulador não funciona mais em equilíbrio e a ansiedade passa a controlar a pessoa. O excesso de tensão pode debilitar e deixar vulnerável o indivíduo.

Curiosamente, agressores morais sabem utilizar esta característica e a exploram criando a desestabilização das vítimas pelo medo e chantagem emocional. Na verdade, projetam uma imagem de si que será aumentada desproporcionalmente na mente do agredido que estará preso de dentro pra fora.

Descobriu-se, porém, através de pesquisas que há um meio de controlar os níveis de ansiedade a patamares eficientes. Caso a pessoa não esteja em um estado em que será necessária a intervenção médica, exercícios de relaxamento como a meditação, por exemplo, produzem estados de equilíbrio capazes de permitir a adaptação comportamental que produzirá respostas eficientes diante de situações de tensão evidentes.

Outra forma, é aprender como o fenômeno se desenvolve e, então, adaptar a estratégia que melhor produza o resultado esperado que seja a solução da violência. Daí a importância da disseminação de informações referentes ao tema. É preciso saber como age o agressor, como se reage aos seus ataques, oferecer ao mesmo a possibilidade de desistir da violência e, em caso de recusa, via de regra, aliás, adotar as medida cabíveis.

O que não se pode fazer é cair no jogo do assediador e lutar em seu território. Deve se aproveitar o fato de que são covardes por natureza e não suportam visibilidade. Deve- se levá-los para o lado da luz para que sejam expostos e, com isso, dissuadi-los de continuar a agressão. Ter medo deles é o mesmo que despertar o ataque do predador, pelo sangue que escorre.

Da mesma forma que os animais, no mundo natural, deve-se oferecer ao agressor o desprazer de ter escolhido você como vítima, pois tudo o que ele quer é a subjugação sem chamar a atenção e te devorar no silêncio, mas não o incômodo ou desgaste, e, muito menos, indenizações. Pra ele, assediar alguém deve ser algo intragável pra que se desinteresse e abandone a prática, mas se isso não ocorrer deve saber que vai sair machucado da situação.

Vale a ressalva que atitudes de inocência e ingenuidade somente deporão contra a vítima e serão usados contra ela, mas a razão, o bom senso e atitudes assertivas poderão fornecer condições ideais pra se enfrentar este mal. Não se lida com gente perversa apelando pra sua consciência moral, pois se a tivesse sequer pensaria em fazer prejudicar o próximo. Acredite-me, a realidade é outra, e, se puderem, vão te destruir, pois essa é a natureza deles.

Portanto, nas situações de violência moral será preciso agir com estratégia e controle emocional, além de uma superdose de paciência, determinação e perseverança. Agir com inteligência (que é adaptação) é o melhor caminho. A boa notícia? Você tem a ferramenta certa pra isso e ela está dentro da sua cabeça. Usá- la bem dependerá de você.



Raniery
raniery.monteiro@gmail.com