terça-feira, 5 de junho de 2012

Banalizadores Morais




Banal é algo sem originalidade, já tradicional e conhecido. Banal é qualquer coisa que seja comum, vulgar ou chata. O termo pode ser utilizado para caracterizar ações que não tenham muito sentido, objetos, situações ou mesmo pessoas. Por exemplo, uma atitude banal.


O termo banal é utilizado há bastante tempo, desde a época do feudalismo. Originalmente, atribuía-se o termo quando os vassalos pagavam um foro como retribuição para utilizar certas coisas que pertenciam a um senhor feudal, por exemplo, um moinho banal. É um galicismo (de origem francesa) que se fixou na língua portuguesa com o significado de "comum".


Banal é um termo bastante usado para adjetivar qualquer coisa que seja comum ou trivial. É usado pelas pessoas em diversos momentos da vida, como no colégio, ao fazerem uma prova banal ou na faculdade, quando realizam um trabalho banal, etc.


Banalizar, portanto, significa tornar algo importante, de valor, especial em algo comum ou sem importância, vulgar até.

E pra você o que é importante, ou melhor, muito importante? Se respondeu a vida, a dignidade, direitos e garantias fundamentais e similares, acertou. Aliás, são garantias constitucionais muito mais importantes do qualquer código humano, pois são anteriores a estes e não podem ser violados.

Portanto, partindo deste raciocínio pode-se dizer que estão banalizando o assédio moral. Como, você pode estar se perguntando, se em duas postagens anteriores, sobre o mesmo tema,  falei exatamente o contrário?

É que lá eu contra argumentava a posição de duas pessoas que diziam que o trabalhador é que banalizava o fenômeno e não concordava que estes o forjavam a coisa pra ganhar dinheiro ilicitamente com indenizações milionárias sob a batuta do judiciário.

Quando digo aqui que estão banalizando o assédio moral, me refiro àqueles que violam direitos constitucionais e valores como a vida, o direito ao trabalho, a dignidade da pessoa humana praticando este tipo de violência.

Quando se torna comum humilhar trabalhadores, ora com a desculpa de produtividade ora por causa de crise, ou ainda, por conta da corrupção nos setores públicos, e, nos acostumamos com isso, a ponto de ignorarmos o sofrimento humano, e, nos isentamos porque não é conosco, isso é o quê?

Não se pode acostumar com aquilo que sequer deveria existir. Dizer que “sempre foi assim” não é argumento, mas perpetuação do erro. É melhor admitir que se está com medo, pelo menos é mais original e descente.

Na enquete feita neste blog, no mês passado, fiz uma pergunta baseada nos argumentos dos “advogados do diabo”, pra saber se as pessoas concordavam com eles, e não deu outra: não conseguiram convencer a maioria.

A pergunta “Quem banaliza o assédio moral?” teve as seguintes porcentagens, sem caráter oficial evidentemente:

A empresa:70%
O assediador:28,5%
O judiciário:1%
A vítima:0,5%

Perceba que num mecanismo de interação, as pessoas que votaram apontam as empresas como as maiores responsáveis pelas ações dos assediadores, o que corrobora com a visão do Direito no que diz respeito à responsabilidade civil pelos atos de seus prepostos.

Sabemos que a justiça não é perfeita como não o é nenhum setor da vida humana, pelo simples fato de estarmos inseridos nela. Ocorre que não se pode subestimar uma hiperestrutura que o aparato estatal controla e dizer que ele se presta a enriquecer ilicitamente trabalhadores por meio de indenizações vultosas. Uma coisa ou outra até é possível escapar, mas neste país eu duvido que penda pro lado do trabalhador. Eu pelo menos desconheço.

Agora, cá entre nós, se as empresas não querem mesmo enriquecer bandos de “vagabundos” que são os trabalhadores, elas deveriam ser um pouco menos “ingênuas” e se prevenirem inibindo tais práticas em seus ambientes. Desta forma oportunistas não terão como solapar o suado capital ganho com muito esforço por seus donos, não é?

Seria bom pra todo mundo, pois quem, em sã consciência acorda todo dia e pede ao Papai do céu pra que coloque um assediador em seu caminho pra ser pisoteado e humilhado no exercício de suas funções?

É claro que não, meus injustiçados e honestos  banalizadores morais! Até porque pouparia seus prepostos de fazerem teatro na frente de um magistrado e ficarem com cara de glúteo diante deles fingindo inocência de criança. É deprimente ter que ver um marmanjo que num momento, aos berros, dá tapas na mesa e ameaça, e, no outro, parece cachorrinho em dia de banho.

Portanto, façamos o seguinte: criemos mecanismos justos de controle do trabalho baseados nas leis e normas de procedimento e os sigamos responsavelmente como o mundo dos adultos prevê. Certo? Não, né? Aí, que graça teria fazer as coisas como elas são e não burlá- las? Seguir regras é para idiotas e não pra super-humanos, como os narcisistas assediadores. 

Vale lembrar que é direito constitucional de cada pessoa o direito de ação. Sendo assim, se houve um aumento nos processos judiciais acerca do assunto provavelmente deve ser porque os trabalhadores se cansaram de tanto abuso.

Como a violência não diminuiu diante de tantos litígios e indenizações ao que parece esse não tem sido o problema das empresas. Aliás, se elas estão se sentindo lesadas que tratem de contratar profissionais capazes ao invés de sociopatas e facínoras.

Portanto, cada processo que pune um banalizador moral, na realidade está valorizando a vida em sua dignidade e se opondo àquilo que destrói valores protegidos.   

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                O assédio moral está banalizado nas empresas



Raniery
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