segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sem dó nem piedade

Se adaptar à sociedade foi uma escolha inteligente que o homem fez a muito tempo. Até desenvolveu uma área em seu cérebro pra isso. 

Somos capazes de ter compaixão de alguém em sofrimento mesmo que não o conheçamos. Em catástrofes vemos pessoas arriscarem-se por estranhos e animaizinhos: é o nosso melhor.

Diferentemente de uma minoria que nada contra a maré rejeitando sua própria natureza e espécie. Voltam-se contra os seus iguais sem o menor pudor ou constrangimento. Precisam satisfazer suas entranhas, custe o que custar.

Lembro-me muito bem. Recém chegado na função da empresa que trabalho, logo fomos bem recepcionados. Era “amigão” pra cá, presentinho pra lá, uma beleza! Mas, aquilo me soava estranho e meu sexto sentido insistia em manter-me atento. Ele estava certo.

Todo aquele teatro era uma tática para atraírem-nos e detectar entre nós os que seriam de sua “laia”. Muitos caíram, e de forma fácil, até. Nem os vermes acreditaram. Isso inflou o ego deles e se acharam demais.

Seu discurso? Simples: promessas de oportunidades fáceis, daquelas que não se recusa; é só entrar no esquema e “tá tudo certo”. Pronto, está aí a receita pra capturar um fraco de espírito. 

Isso funcionou, até que as máscaras caíram e um a um fomos entrando numa dura realidade. Ainda me lembro como se fosse hoje de colegas que diziam que eu falava demais e que não era nada daquilo que eu dizia, pois “eles” eram gente boa. Curiosamente estas pessoas mudaram seus discursos depois da primeira pancada. Infelizmente caíram na estratégia do diabo. O “coisa ruim” prefere aqueles que não acreditam em sua existência, pois estes já estão sendo preparados para o jantar.

Capazes de tudo, e mestres da pilantragem, durante anos de aprendizagem não encontraram resistência pra enganar os super-crédulos e fazer deles gato e sapato. 
   
Os Psicopilantras

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria (APA, da sigla em inglês), 3% dos homens e 1% das mulheres são incapazes de internalizar regras sociais. São portadores do que a bíblia dos psiquiatras - o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais da APA - chama de transtorno da personalidade antissocial (TPAS) ou do que o psicólogo canadense Robert Hare, maior especialista do assunto, chama de psicopatia. 

CONTRATO ANTISSOCIAL

Por temerem os riscos de uma sociedade regida por desejos individuais conflitantes, pessoas normais aceitam abrir mão de certas vontades e seguem regras, sejam formalizadas em leis, sejam baseadas numa ideia religiosa ou filosófica de certo ou errado. É o tal do contrato social. Já emocionalmente elas seguem essas regras por se comoverem com os sentimentos, direitos e bem-estar dos que estão à sua volta. 

No processo de socialização, que acontece, por exemplo, por meio da família e da escola, é moldada a consciência - a voz interna que não as permite estuprar a primeira gostosona que encontrar num beco ermo nem assaltarem velhinhas na saída do INSS. 

É essa voz que falta ao psicopata. Não que ele não conheça as regras sociais. Só não está nem aí para elas. 

O psicopata também tem dificuldade em sentir emoções. Com isso, sua empatia - a capacidade de se colocar no lugar dos outros - é nula. Quando ele pensa, é só raciocínio, sempre a favor de si. Se quiser estuprar uma mulher, dirá para si mesmo: "Putz, ela pode engravidar e aí vai ser a maior dor de cabeça para mim". Em seguida, concluirá: "Melhor assistir ao Brasileirão". Já, se achar que a consequência vale o prazer, vai estuprá-la, sem remorso. 

Mas esse crápula não sabe o que significa compaixão? Claro que sim. Ele não é burro: aprende perfeitamente o significado literal das palavras. Só não consegue apreciar o conteúdo emotivo. Ao ouvir "compaixão", sente o mesmo que ao ouvir "caderno". Seu cérebro funciona diferente do das pessoas normais. 

Sem emoções, também crescem sem sentir aflição ante a ameaça de castigo. Apenas pesa os prós e contras de ser pego. Assim ele foi quando criança, e assim ele provavelmente será até morrer. Leia mais


Eles também possuem um sentido de alerta que os ajuda a detectar possíveis ameaças: a paranóia. E logo perceberam que comigo a coisa seria diferente. Isto me custou um preço alto: o assédio moral. 

Precisam desesperadamente se livrar de mim. Eu tenho que ser demitido. Pra isso, forjam inquéritos, quer seja contra mim, ou arquivam aqueles que solicito contra eles. Como possuem contatos e proximidades com os diversos setores, uma ligação pro ramal correspondente e a coisa está resolvida: é o castelo de cartas marcadas. 

Sorrateiros e covardes, não são capazes de lutar de frente, olho no olho, mas isso não é de se estranhar, pois quem veio do esgoto nasceu pra ser assim.

Hoje, ao que me parece, as pessoas acordaram daquele torpor inicial e estão aprendendo a vê-los como são. Se bem que outras de forma masoquista ainda insistem no mesmo erro, talvez pelo prazer de sofrer mesmo.

Seja como for, eles estão lá, num ambiente propício que alimenta seu jeito bizarro de ser e cabe a quem de interesse se associar a eles ou defender aquilo que lhe é importante na vida. São escolhas. Cada um com as suas. Aliás, um psicopata de lá me disse uma vez, no auge de sua sabedoria:”passarinho que come pedra, sabe o ...que tem”. Da mesma forma, eu lhe diria, “verme que come lama, também”.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com