segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rumo ao terceiro ano


Chegamos ao segundo ano do Mentes Alertas que está mais amadurecido e consistente à medida que se aprende a lidar com todos os meandros ligados à violência.

No ano passado, no primeiro aniversário, eu apontava para a continuidade do processo, já que, dada a natureza dos agressores, nada demonstrava o abandono de suas características perversas. É dominante entre pesquisadores a conclusão de que portam transtornos antissociais os assediadores crônicos, daí se dizer que não mudam de comportamento. Dessa asserção, posso atestar na prática, a evidência de tendências psicopáticas entre eles, apesar da pouca inteligência que demonstram, o que me confunde em determinados momentos.

De qualquer forma, à medida que adotavam suas práticas assediadoras foram ressachados à altura. Ameaças, chantagens, manipulação da comunicação, nada disso foi suficiente para gerar intimidação, mas o oposto, já que despertou indignação e estimulou colegas a vencerem o medo e enfrentarem as injustas agressões.

A estratégia foi observar de perto seus atos decorrentes das violações de normas e regras, já que são transgressores sociais, sendo esta a sua vulnerabilidade; portanto, não deixarão de praticá-las porque são dominados pelo impulso de transgredir.

Conforme dito, no ano anterior, havíamos denunciado as práticas de assédio moral ao MPT (Ministério Público do Trabalho); os assediadores se sentiram, então, ameaçados e mobilizaram o jurídico da empresa para escaparem. É interessante registrar que, quando é para o mal, os perversos se unem. E foi o que ocorreu. Mas, isso nós já havíamos testemunhado por conta da demissão forjada de dois de nossos companheiros que ficou conhecida como a maior injustiça ocorrida por lá, sendo que os responsáveis caíram em desgraça moral ante o grupo.

Desta vez, no entanto, os agressores foram acuados em seu território, e, temeram; pois não estavam acostumados a se ver nesta condição. Aliás, esta é outra teoria que pude verificar na prática, isto é, o que chamo de dar " visibilidade ao agressor" que não se adapta a essa situação porque todo o seu trabalho se dá pelo engano, dissimulação, trapaças e mentiras.

Mobilizados, conseguiram obter uma vitória momentânea conseguindo arquivar o inquérito. Imediatamente a isso voltaram- se para mim de forma retaliadora cancelando minhas férias, marcadas a quase um ano antes, fato agravado pelo difícil momento em que passei tendo minha genitora em coma na UTI do hospital local.

Para se ter uma idéia da maldade e insensibilidade, o atestado de acompanhamento que tentei entregar ao RH foi recusado, mesmo sendo legítimo, o que não foi novidade alguma já que os setores estão acertados para me prejudicar. Confirmei isso da pior forma: pelos berros do assediador que tentou me intimidar a não buscar meus direitos. Aliás, deixou claro que irá forjar minha demissão.

Por conta deste abuso, enviei ao grupo de inquérito administrativo da empresa, à época, formalização de queixa com pedido de tomada de providências,  já que se tratava de falta gravíssima, mas como previsto, arquivaram tudo, mesmo constando até falsificação de documento em meu nome.

Naquele momento se sentiram excitados porque conseguiram arquivar o inquérito ( tanto do MPT, quanto o da empresa), mas, nem a poeira assentou e a promotoria os intimou a esclarecer novas denúncias. Nelas, foram relatadas situações de irregularidades envolvendo funcionários que estariam se utilizando de fraude para se beneficiarem, entre outras coisas, de horários especiais de trabalho, funções inexistentes ou sem prestação de concurso interno etc.

O que se sucedeu foi o pânico generalizado, pois tinham que maquiar o que estavam fazendo. É sabido que uma empresa pública não pode fazer nada que a lei não determinar, mas estas pessoas se acham acima da lei e intocáveis. Em suas mentes, são melhores que os outros, dada a sua megalomania e ego inflados. Se acham os malandros entre otários que estão ali para lhes servirem. Enquanto fraudam ameaçam punir a pretexto de disciplinar. Mas, se são tão espertos porque é que foram tomados pelo medo, e, em pânico, se puseram a tentar minimizar as coisas para ludibriar os promotores?

Interessante foi que, em determinado momento, até quem assediava passou a experimentar do próprio veneno. Acontece que eles se devoram entre si. A coisa perdeu o controle e passaram a sentir na pele o mesmo que faziam com os outros. Mas, não gostaram não! Pois, pimenta no...é refresco; e choraram.

Surpreendentemente, receberam apoio e solidariedade de quem poderia legitimar-se em eximir- se- seus assediados. Vale ressaltar que nem todo superior hierárquico era partidário de tais ações réprobas, só os desprovidos de inteligência mesmo. Mas, uma vez vencido o problema, esqueceram-se rapidamente e nos viraram as costas. Ao que parece estavam mais preocupados em se ajeitar nos cargos. Submeter-se faz parte do pacote. Não todos, evidentemente.

Como dito, os agressores utilizam da coisa pública para deflagrar perseguições a seus desafetos, o que fere claramente ao princípio da impessoalidade nas gestões destas administrações. Fato que ficou claro no episódio envolvendo um superior que foi destituído de seu cargo com objetivo de desmoralizá-lo entre seus subordinados e demais pares. Acontece que este superior foi decisivo nas constatações de assédio moral coletivo já que suas declarações e documentos corroboraram com a caracterização da violência culminando com reabertura do inquérito arquivado. Nem é preciso dizer a extensão de tal importância à todos.

Com isso, avançamos, e muito, diante do problema e conquistamos um território importantíssimo que, se não desestimula o agressor, pelo menos o faz hesitar, pois pode estar dando um tiro no pé dependendo da atitude que adote, sendo que isso será usado contra ele.

Desta forma criamos uma espécie de campo de força invisível ou alarme que a qualquer movimento de algum perverso o denunciará. Melhor que isso, eles perderam sua vantagem estratégica que era o controle pelo medo, dos demais trabalhadores. Enquanto seu foco estava em mim, outros estavam "nascendo" e, paradoxalmente, de forma invisível, fazendo com que o veneno se voltasse contra os peçonhentos agressores.

Nisto, o Blog se sente orgulhoso, pois, por muitas vezes fui criticado por auxiliar quem, inclusive, se associou contra mim, ou mesmo virou as costas por covardia diante das manipulações dos perseguidores. Acontece que minha visão era mais ampla dentro de uma estratégia definida: a disseminação da informação de forma mediata me beneficiava direta e indiretamente, pois, ao invés de contar somente com a iniciativa das pessoas em me ajudar eu as incentivei a defenderem- se, o que, em última instância, me auxiliava, já que se tratava de mesma situação e agressores em comum. Essa era a idéia. E, funcionou!

Mesmo assim, vários colegas se disponibilizaram a se associar a mim, à despeito dos riscos, contra essas injustiças e, foi importantíssimo, porque minou a força dos agressores mostrando que também podemos nos unir, principalmente contra o mal e os perversos.


Posso dizer que esta guerra ainda não acabou e certamente terá novos capítulos, haja vista, a ação que estou movendo, primeiramente contra a empresa e que está apenas no início, mas é incontestável as vitórias conseguidas até aqui.

Bem, vamos então, rumo ao terceiro ano.

Raniery
raniery.monteiro@gmail.com