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Turno Que Interrompe

Nosso organismo é uma usina viva de processamentos físico/ químicos. É uma máquina biológica impressionante. Nosso cérebro, um supercomputador, no entanto, qualquer forma de uso inadequado ou violação contra as leis da evolução o desregula e sofremos, evidentemente, as consequências.

Eu que o diga, pois estou com um familiar nestas condições e não está sendo nada fácil lidar com isso.

Numa discussão familiar fora levantado alguns aspectos de meu comportamento que eu não tinha percebido até, então. Numa dessas sincronicidades da vida o assunto vem sendo objeto de acalorados debates pelo grupo de pessoas de meu trabalho. Nosso horário de trabalho atualmente é o de escala de turno ininterrupto.

E onde está a coincidência com a outra discussão? Simples: os chamados fatores psicossociais. O nome é complicado, mas os efeitos são bem piores. Tais fatores dizem respeito a como o contexto laboral influencia nos vários aspectos da vida do trabalhador, de sua saúde a sua vida social podendo, como no nosso caso, ter outros tantos impactos, inclusive psicológicos.

Foi quando descobri que o turno desregulava meu relógio biológico programado a milhões de anos para me fazer funcionar de um jeito e por conta do trabalho o forcei de outro. Meu organismo, então, reagiu. Mas, eu até hoje não tinha me dado conta disso.

Entre outras coisas, o turno altera condições hormonais, cardíacas, de concentração, memória, motora, etc. Interfere nas relações sociais já que a maioria trabalha em horários administrativos com uma rotina definida privilegiando, por exemplo, os fins de semana onde nós estamos seguindo a escala. Esse isolamento social, por si só,  já pode ser apontado como um fator estressante.

Resumindo, as seis horas do meu trabalho cobra um preço muito mais caro em termos de desgaste que as oito, comuns aqui no Brasil, da maioria dos trabalhadores.

No caso da discussão do grupo de colegas do meu trabalho, tudo gira em torno de beneficiar os interesses e problemas de um outro grupo menor em detrimento e, por consequência, piora de nossas condições de horário de trabalho, pois todo e qualquer benefício teria como escopo minimizar os impactos que o turno nos causa. Não é o caso, já que foi deixado claro que a demanda atenderia a uma necessidade de falta de pessoal, ou seja, a um interesse da empresa e não da saúde do trabalhador.

Fiquei pensando, se seis horas já causam um estrago danado, doze, então, como querem o que não fará? Os partidários de tal horário alegam que ficarei menos tempo no ambiente de trabalho fazendo uma menção aos intervalos interjornadas. Só não explicam que ele será usado para recuperar o corpo para a próxima jornada e que se isso não ocorrer voltasse mais cansado e desgastado que antes. Eu, particularmente desconheço quem consiga ficar somente descansando em casa de forma eficiente nesses intervalos, portanto, fica óbvio, que, em termos de benefício real, a mudança prejudica e só beneficia ao intesse de poucos, que diga-se não estão minimamente preocupados conosco.

Portanto, de uma discussão familiar acabei descobrindo o que de fato meu horário de trabalho repercute em mim e pude chegar a algumas conclusões sobre as propostas que virão para alterar esse horário que, se de fato, forem as que estão sendo apresentadas não me atendem em nada e não são do meu interesse.
Raniery



raniery.monteiro@gmail.com
http://mentesalertas.wordpress.com/


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