sábado, 18 de dezembro de 2010

Direito de resistir


Flagrante de assédio moral
Toda vez que nos vemos diante de situações de abuso e de injustiça nos vêm à mente a lembrança de personagens que passaram e lutaram pelos mesmos ideais.


Destaco dois que estão no rol dos mais importantes da história, em minha opinião, pela relevância e impacto que tiveram em seus respectivos momentos, e que, sempre me inspiram a continuar a lutar e resistir a toda forma de abuso e opressão de seres perversos e cruéis:



Salah Al-Din
Saladino foi um chefe curdo muçulmano que se tornou sultão do Egito e da Síria e liderou a oposição islâmica aos cruzados europeus no levante. No auge de seu poder, seu domínio se estendia pelo Egito, Síria, Iraque, Iêmen e pelo Hijaz. Foi responsável por recuperar Jerusalém das mãos do reino de Jerusalém, após sua vitória na batalha de Hattin e, como tal, tornou-se figura emblemática na cultura curda, persa, árabe, turca, e islâmica em geral.
Saladino tornou-se célebre entre os cronistas cristãos da época por sua conduta cavalheiresca, conquistando o respeito de muitos dos cruzados.


Zumbi dos Palmares
Zumbi dos Palmares foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas e que viviam de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

No ano de 1675, o Quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após uma batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de recife.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, um grande ataque ao Quilombo. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e é entregue às tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história.
Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil colonial. O dia 20 de novembro é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.


Inspirado por esses grandes homens da história, entendo que, não se submeter a ações abusivas, perversas, ilegais de pessoas ou grupos que, de forma deliberada e dentro de sua megalomania, acham que podem ser os donos do destino de outros, é uma ação legítima.

Eu já ouvi inúmeros “conselhos” de que ser submisso, subverniente ou servil é atitude correta a ser tomada, afinal, “quem manda pode quem tem juízo obedece” ; “não adianta bater de frente com a chefia” entre outras frases com aura de sabedoria, mas que esconde dentro do espírito de quem as segue um cabestro psicológico implantado pelos manipuladores.

Na prática, ter bom senso (juízo) significa o resultado da razão e não de se amedrontar.

Ora, a razão deve ser fundamentada ou amparada por algum parâmetro, e, nesse caso, é a lei que subsidia toda linha de ação.

Portanto resistir é um direito legítimo diante do assédio moral


Raniery








A violação do Estado Democrático de Direito ou ofensa aos direitos fundamentais possibilita o uso da resistência, como argumento jurídico e político, na tentativa imperiosa do retorno à ordem democrática, portanto o direito de resistência não é mera admissão formal do texto constitucional, mas uma relação justa entre o comando normativo e as práticas constitucionais.





Raniery
raniery.monteiro@gmail.com