quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A gangue de assediadores

Especialistas das mais variadas áreas têm discutido sobre a origem da violência humana. 

Surgem teorias e teses são defendidas na esperança de que se descubra a fonte desse comportamento. Sendo assim, geneticistas, primatologistas, psiquiatras, psicólogos, antropologistas entre outros, abordam o mesmo tema sob as mais diversas óticas e, não há um consenso entre eles.

É doença? É transtorno? Diz respeito a condições sociais, econômicas e culturais? Enfim, a discussão é interminável.O fato é que todos apontam para um mesmo tipo de comportamento agressivo, hostil e danoso. Comportamento este que se contrapõe à própria evolução da espécie, que encontrou no grupo a defesa do indivíduo como estratégia inteligente de sobrevivência, o que trouxe  inclusive a supremacia sobre todas as outras espécies.

Somos as criaturas com o maior cérebro entre as demais e, ao que parece, isso não foi capaz de inibir tais comportamentos anômalos. Historicamente o processo de socialização foi se sofisticando a ponto de hoje termos sociedades baseadas em complexas estruturas.

Possuímos códigos que norteiam nossos atos, apontando direitos, definindo deveres e delimitando os dois. Quando um grupo ou um indivíduo decide atravessar os limites há a punição como mecanismo inibitório e coercitivo, se for o caso. Mesmo assim, isso não é capaz de impedir que um número reduzido, mas perigoso de pessoas deixem de praticar atos delituosos.

Entre os grupos que decidem transgredir as regras sociais estão os assedia dores morais que se associam para formar uma horda de predadores psicológicos: é o assédio moral misto ou a “gangue de assediadores“.

Todo assediador, para ter sucesso na arte de destruir pessoas, sabe que necessita de uma equipe ou de uma estrutura para maximizar seus atos.

A gangue é formada pelo líder principal e subordinados servis (aduladores) que obedecem suas ordens, sujam as mãos por ele e reproduzem as ações de assédio. Eles têm a missão de dar suporte e manter a imagem do chefe intacta para que o grupo, de forma manipulativa, não perceba seu real caráter.

Dentro das empresas isso ocorre de forma generalizada e é mais comum do que se imagina, ainda mais se pensarmos que sistemas neoliberais e a globalização permitem que a perversidade se instale e crie ambiente propício para esses parasitas sociais em todo o planeta.

O processo de ataque da gangue é bem definido e segue padrões previsíveis: isolar a vítima dos demais, destruição moral, desacreditá-la, desorientá-la, confundi- la e o mais importante - não permitir, em hipótese alguma, que se defenda e reaja.
Tudo é feito no campo do subjetivo, nas sombras e em silêncio para que os demais não percebam o que está acontecendo. É a tática da emboscada.

A impressão que se quer dar é a de que o alvo provocou tal situação, pois se não fosse assim, por que então estaria sendo perseguido pelo chefe? O bando de agressores principais tem a função de alimentar esta ideia através de boatos disseminados propositalmente e, por conta das distorções naturais da comunicação, a coisa vira uma bola de neve.

Se a vítima não está atenta ou não compreende o fenômeno, torna-se presa fácil e é destruída sem esforço algum. Quando, porém percebe e reage então a adrenalina é disparada nos agressores que passam para a violência aberta.

O mais interessante é que o grupo de uma forma geral também fica confuso, ainda mais que, se em determinado momento a vítima teve alguma interação aparentemente tranqüila com o assediador principal (chefe), isto se torna contraditório e gera indagações.

Durante o processo surgem dois novos protagonistas:

- Tem o torcedor invertido: é aquela pessoa que não gosta do assediador, mas que por algum motivo tal como a inveja, o ciúme e a insegurança, também não gosta da vítima, e quer ver o círculo pegar fogo. Exatamente como torcedores de times rivais que, um torce contra o outro e até torcem por um terceiro time ganhar o campeonato, e seu oposto não. Esse tipo de pessoa alimenta as fofocas e acaba participando gratuitamente do jogo, trabalhando indiretamente a favor dos agressores.

- Há também o omisso: ele sabe discernir entre a gangue de assediadores e vítima sabe que o que ocorre é uma injustiça, mas por questões como medo, comodismo e conveniência prefere fingir que nada acontece, pensando que se assim o fizer não chamará a atenção do assediador e este não o retalhará.

Vale lembrar a estrutura perversa dentro de empresas com histórico de assédio moral e que permitem que um terrorista psicológico tenha ambiente propício. O perverso narcisista dentro de sua psicopatia é uma pessoa manipuladora e inescrupulosa e que encontra parceiros à altura nessas organizações.

Sendo assim contam com o auxílio dos RH´s para configurar um perfil indisciplinado e manchar o histórico funcional do profissional, além de embasar o setor jurídico da empresa para poder demiti- lo por justa causa. Sem falar nas falsas ouvidorias que só funcionam para delatar os perseguidos que denunciam tais práticas.

Associam-se com alguns sindicatos que se prostituem e que contam em seu quadro de conselheiros, justamente os assediadores. Se a vítima procura tal entidade, que recolhe anualmente ou mensalmente taxas (e eles são rápidos e jamais se esquecem de fazê- lo), esta a induz a erro, a pedido do agressor. Não há a mínima chance de sair dessa inteira.

Só que, tais quais predadores selvagens, estes também se inibem se algumas medidas forem tomadas. A gangue não suporta visibilidade e confronto e quando percebe que a vítima está informada de seus direitos, orientada por um advogado e não se submete ao jogo, tendem a procurar outro alvo que seja mais vulnerável sem, logicamente, deixar de oferecer resistência intimidatória.

Órgãos judiciais como Fóruns trabalhistas, Ministério Público do trabalho ou Delegacias regionais do trabalho costumam intimidar e inibir essas criaturas animalescas. Portanto o caminho natural para que o direito da dignidade do trabalhador se faça prevalecer é a denúncia.


Submeter-se não aplaca a sociopatia da gangue de assediadores, ao contrário! E sendo assim, não terão dó e nem piedade em destruir uma pessoa e indiretamente sua família. 


Perca o medo e denuncie!

“Parto do princípio de que o assédio moral é uma violência psicológica de um grupo contra uma pessoa, na minha

opinião não é um conflito entre duas pessoas, o valentão e a vítima, e sim, de um grupo contra um
trabalhador, ou seja, assédio moral misto ou grupal: a gangue do assédio.


raniery.monteiro@gmail.com